Namorando uma garota inteligente

De menino sonhador ao fundo do poço (desculpa pelo textão)

2019.09.15 04:33 NearllFire De menino sonhador ao fundo do poço (desculpa pelo textão)

Bom, antes de tudo queria deixar claro que meu desabafo não está relacionado à algum evento traumático ou uma situação específica, e sim ao estágio atual em que minha vida encontra-se. Quando tenho alguns lapsos de memória de infância lembro de como eu tinha entusiasmo e alegria em viver, tinha sonhos, parecia que até o dia mais comum do mundo era tão feliz, eu adorava apreciar as coisas mais simples da vida. Mas, conforme fui crescendo, toda minha inocência de criança foi sendo destruída ao perceber como as pessoas vivem de julgamentos e aparências. Cresci em uma família super protetora e que me deu certos "mimos", então lembro-me que no começo eu era uma criança extrovertida que não tinha vergonha e medo de se relacionar e falar o que vier na cabeça, porém conforme foram passando os anos e fui vendo como o mundo era diferente da criação que eu tive, fui cada vez ficando mais introspectivo e anti-social para tentar ser menos julgado possível. Aos 13 começou o sobrepeso,e ao longo da adolescência minha auto-estima foi se rebaixando cada vez mais e minha aparência piorando, todas as amizades que eu fiz na minha vida inteira até hoje partiram da atitude deles de falarem comigo, não consigo ter uma conversa minimamente interessante nem com um parente, nunca abordei uma menina e muito menos chamei pra conversar que seja no Facebook, Instagram e etc. Consequentemente nunca beijei ninguém em 20 anos, e todas aquelas amizades que fiz na escola, hoje quase todas acabaram pela distância deixando a relação ficar fria, grande parte minha culpa que só esperava as pessoas falarem comigo e nunca tinha atitude. Atualmente, estou com 120kG, desleixado, e estudo pra passar no vestibular de medicina há 3 anos (Formei em 2016), sempre fui uma pessoa que tive facilidade de aprender as coisas,me considero inteligente e sempre tirei notas altas na escola, mas nesses 3 anos por procrastinação e não conseguir render durante o ano todo não passei no vestibular até hoje (não vou mal, passaria em todos cursos mas nunca atinjo nota para medicina em um faculdade boa), não desistirei do curso, pois é meu sonho de criança e estou bem mais perto de conseguir, mas confesso que essas reprovações e o fato de não conseguir manter uma rotina devido à procrastinações quebram meu emocional. Desde meus 14 anos assisto diaramente pornografia e sempre quando estou sozinho em casa me masturbo compulsivamente ( um dos meus motivos de procrastinação), e depois por me sentir mal em ter gastado meu tempo de estudo, solto minhas frustações na comida e meu peso só aumenta. Além disso, fui percebendo que o amor que meus pais me ensinaram desde criança, foi esvairando-se, eles só estão juntos por mim e por minha irmã (5 anos mais nova), apesar deles sempre nos tratarem bem e sempre nos querer o melhor, entre eles a relação é fria, nunca vi meu pai ou minha mãe dizer "eu te amo" para o outro, ou demonstrar qualquer grau de afetividade entre eles, acho que por isso tenho tanta vergonha de expor meus sentimentos às pessoas, principalmente mulheres. Perdi a felicidade em viver, não tenho pensamentos suicidas, sou bem controlado emocionalmente e nunca vou tirar minha vida, apesar de sentir um vazio e não ver tanto sentido na vida, parece que tudo de bom que pode acontecer na minha vida traz um prazer momentâneo mas logo volta tudo a ser como antes. Minha timidez profunda não sumiu, até hoje evito de falar no telefone até pra pedir pizza, só tenho amigos no cursinho que partiram deles a atitude de falar comigo. Tenho consciência de que eu pareço ser um sociopata, por não conseguir olhar nos olhos de estranhos e recém-conhecidos, por ter vergonha extrema, não cumprimentar algum conhecido quando eles estão em grupo que eu não conheço as outras pessoas, e até ensaiar a fala pra comprar algo quando preciso falar com alguém. Desde adolescente tenho dezenas de tentativas frustadas de emagrecer (até porque minha família tb é obesa), o alto peso esgota minha energia e minha disposição, me sinto pesado, sufocado, com baixa autoestima, sei que poderia ter aparência melhor. Hoje, reativei meu facebook e vi pessoas que estudei namorando, uns trabalhando e vivendo algo diferente, enquanto eu desde que sai da escola tenho a mesma rotina, sou grato por poder estudar sem precisar trabalhar atualmente, e no futuro estudar em uma faculdade boa, e ter um bom emprego, mas é tão triste ver as pessoas mudando e eu estar estagnado nessa mediocridade, perdi inúmeras oportunidades por essa maldita timidez,desde ficar com alguma garota que estava a fim de mim, até saber a resposta de algum exercício e ter vergonha de levantar a mão e falar, até de criar atitude e fazer amizades com pessoas que eu admirava. Sou uma pessoa boa, nunca fiz mal e não destratei ninguém, quero no futuro ajudar às pessoas, mas me sinto tão perdido e me sinto mal quando invejo um cara que sei que é pior que eu (menos inteligente, aparência ruim) tendo uma vida feliz por não ter essa timidez e ansiedade que tenho. Sei que ninguém pode me me dar uma resposta mágica, mas hoje compartilhei fatos da minha vida que nunca falei pra ninguém, além disso pode ser que alguém que passou por situação similar possa me orientar em algo, não perdi as esperanças de retomar o rumo da minha vida.
submitted by NearllFire to desabafos [link] [comments]


2018.09.02 08:28 Inferpool Devo investir nela novamente?

Estou no terceiro ano do ensino médio, me considero um cara inteligente, suficientemente bonito e sou muito confiante em relação à mim. Sei que posso parecer esnobe, mas estudo em uma escola onde sinto que nenhum dos outros alunos está no meu nível intelectual com exceção de uma garota da minha sala. Ah, que garota! O mais interessante de ser acostumado a ter essa sensação de "solidão egoísta" é que quando alguém foge dos padrões um olhar mais curioso se desperta em relação à essa pessoa. Ela era mais inteligente e mais linda que qualquer outra garota que já vi em toda a minha vida.
Já faz 5 anos que a conheci. Estonteante desde suas primeiras palavras. Minha primeira experiência do que considero amor.
Na época, ainda eramos crianças. Só de imaginar algo entre nós já era ousadia. Escondi meus sentimentos sem motivos até que fosse tarde demais. Ela estava namorando meu amigo.
O tempo passou e muita coisa mudou. Nossos caminhos se cruzaram novamente e tive a coragem de expressar meus sentimentos. Ao invés de criar discursos desesperados, covardes e contraditórios como fizera em outros tempos, demonstrei o quanto ela importava pra mim e foi recíproco. Ela sabia que eu sempre estaria lá pra ela.
Tivemos um relacionamento curto e um tanto conturbado devido à relação dela com seu pai, que agia de forma super-protetora com medo de que seguisse os caminhos promíscuos de sua irmã. Embora nunca tenha negado seu amor por mim, sentia uma sensação estranha toda vez que nos beijávamos e "travava". Houveram vezes em que tomou a iniciativa e me beijou sem tantos problemas.
Ela nunca conseguiu entender o que era.. achava que tinha algo a ver com um ex-namorado com o qual tinha tido algo mal-resolvido, mas assim que resolveu esse tal problema disse que a sensação continuava a vir quando "ficávamos".
Depois que ela me disse que nada tinha mudado, começou a vir com papos de que não estava apta a ter um relacionamento sério no momento por questões psicológicas (pelo fato anteriormente citado) e acadêmicas (vestibular) e eu percebi que era o fim. Paramos de nos falar.
Cerca de duas semana depois descobri que ela estava ficando com um outro garoto de minha sala e que já almejava um relacionamento sério com ele, que não queria. Contraditório, não? Pensei em interferir para que o garoto não fosse tapeado mas ao mesmo tempo queria a felicidade dela e nada mais.. se aquilo a fazia feliz, eu estava satisfeito.
Voltando de férias, após descobrir que o relacionamento não tinha ido pra frente e que tinha tentado voltar com aquele ex que a deixara confusa - o que também não deu certo - pensei que era o momento de voltar a falar com ela.
Fui chamado pra um almoço em sua casa onde esse tal ex também estava. No começo, estava me dando bem com todos mas comecei a passar mal e tive de ir embora. Todos acharam que era por causa desse sujeito e que eu não estava confortável com a situação. Logo a chamei pra conversar pois até mesmo eu estava confuso com o ocorrido. Foi então que ela me disse que eu deveria decidir de uma vez por todas se queria mesmo voltar a falar com ela.. respondi que sim.
Agora estou em um dos maiores dilemas de minha vida.. após tanto me magoar por causa dela, me sinto inseguro de investir meu tempo e energia por nós, mas ao mesmo tempo, como vou me mudar ano que vem, sinto que estou perdendo minha ultima oportunidade de me relacionar com essa pessoa que pode ser o grande amor da minha vida. PS:Já me relacionei com outras mulheres enquanto a conhecia mas nenhuma nunca a substituiu.
submitted by Inferpool to desabafos [link] [comments]


2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
submitted by botafora01 to desabafos [link] [comments]